
Jó 1 : 6-8
“Ora, chegado então o dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles”.
“O Senhor perguntou a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao Senhor, dizendo: De rodear a terra e passear por ela”.
“Disse o Senhor a Satanás: Notaste, porventura, meu servo Jó, que ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, que teme a Deus e se desvia do mal?”
INTRODUÇÃO
Todos nós conhecemos a história de Jó e o seu sofrimento. Sabemos os motivos pelos quais ele sofreu o martírio na própria pele, da perda de seus filhos e bens. Aprendemos também ao longo de nossa vida de fé, que a vontade permissiva de Deus foi que permitiu que Satanás afligisse Jó daquela maneira.
Não quero aqui questionar se Deus devia ou não dar ouvidos a Satanás a fim de colocar Jó naquela situação, também não é o objetivo desse estudo especificamente o sofrimento de Jó; o objetivo é simplesmente saber se Jó conhecia a Deus, ou somente o temia.
No versículo 8 acima, o próprio Deus testifica que Jó temia ao Senhor, note bem, temia, a bíblia não fala “conhecia”.
O receio de Jó no capítulo 3.25 e 26 denotam falta de conhecimento da providência de Deus, embora reto e íntegro na sua maneira de viver, não havia no seu íntimo uma convicção de que Deus não permitiria que mal algum acontecesse a ele e sua família:
Jó 3.25,26
“Aquilo que temo me sobrevém, e o que receio me acontece”.
“Não tenho descanso, nem sossego, nem repouso, e já me vem grande perturbação”.
A questão que se propõe é a seguinte: Jó temia ao Senhor, será que ele conhecia ao Senhor?
Muitas pessoas que estão na casa de Deus, temem ao Senhor; não o conhecem necessariamente, apenas o temem. Segundo esse raciocínio, entendemos o temor a Deus, como respeito, obediência por estarem na casa de Deus (na igreja) não porque desejam conhecê-lo, mas porque o temem, e isso não acrescenta confiança em Deus; o Senhor Jesus passa a ser visto como um Deus vingativo, que pune e castiga àquele que não vêm à igreja ou abandona o Seu caminho. Alguns dizem no seu íntimo: “Preciso ir para a igreja, porque senão estarei pecando, e não terei mais a proteção de Deus, ou ainda, preciso ira para a igreja senão o pastor vai perceber a minha falta e vai chamar minha atenção”.
Não é meu desejo pensar que todos os que estão na igreja têm o mesmo pensamento ou sentem da mesma forma; quero apenas que entendam que o temor de Deus embora seja o principio da sabedoria, e obviamente devemos ter, não traz consigo o conhecimento necessário para acrescentar fé aos nossos corações.
Isto posto, gostaria de analisar com você a situação que Jó viveu até chegar ao conhecimento de Deus. No Capítulo 42 versículo de 1 a 3 Jó afirma que falou do que não entendia; coisas que para ele era demasiado maravilhosa, e que ele não conhecia. Vamos procurar entender como Jó chegou ao conhecimento de Deus no final do livro, onde ele diz:
Jó 42.5
“Com o ouvir dos meus ouvidos, ouvi, mas agora te vêem os meus olhos”.
I – Conhecendo os amigos de Jó
Jó 2.11
“Ouvindo, pois três amigos de Jó todo esse mal que lhe havia sucedido, vieram, cada um do seu lugar: Elifaz, o tematita, Bildade, o suíta, e Zofar o naamatita, pois tinham combinado para virem condoer-se dele e consolá-lo”.
1) Elifaz – de Temã, da descendência de Esaú (Gn 36.11), portanto um edomita. No seu arrazoado, Elifaz alega que Jó esteja sendo punido pelo seu pecado, busca na sua vida pregressa motivos para a punição de Deus, acredita que o homem seja castigado pelos seus erros, e que Deus nunca pune os inocentes. De acordo com Elifaz, o homem colhe aquilo que planta, e Jó, deveria entregar sua causa a Deus.
Jó responde a Elifaz que ele devia mostrar compaixão, pelo que sofre, e que não era merecedor de tão grave castigo. Jó ainda questiona o parecer de Elifaz, e pede que ele o ensine, caso esteja errado: (6.24) “Ensinai-me, e eu me calarei; fazei-me entender em que errei”.
2) Bildade – de Suá – descendente de Abraão (Gn 25.2) – Para Bildade, Deus é totalmente justo; alega que os filhos de Jó pecaram e por isso Deus os entregou ao poder de sua transgressão, mas Jó ainda poderia buscar a misericórdia de Deus, e pede que Jó busque aprender com as gerações passadas, com seus pais, o motivo de tanta dor.
Jó sintetiza a justiça de Deus, no capítulo 9, para dizer que Deus é soberano, que pode destruir o justo como também o ímpio, mas Ele é um juiz misericordioso.
3) Zofar – de Naamate – diz que Deus é justificado em Sua maneira de agir – Para Zofar Jó zomba de Deus quando se diz justo e reto e aconselha Jó a se arrepender e buscar a Deus. Para Zofar, Deus deveria ser menos indulgente com Jó, quando diz: Jó 11.6b - “… sabe, pois, que Deus exige de ti menos do que merece a tua iniqüidade”.
Jó se justifica perante seus amigos, e alega retidão perante Deus. Jó acredita que o ímpio não se chega a Deus, e sim, o justo.
Afinal, os três amigos de Jó resumem o seu martírio à iniqüidade, ao pecado de Jó, enquanto Jó continua se justificando, de maneira que tanto uns como outro, não chegam a nenhuma conclusão.
II – O que diz Eliú
Jó 32.1-3
“Então aqueles três homens cessaram de responder a Jó; porque era justo aos seus próprios olhos”.
“E acendeu-se a ira de Eliú, filho de Baraquel o buzita, da família de Rão, descendente de Naor, irmão de Abraão (Gn 22.21), pois Jó se justificava a si mesmo, mais do que a Deus”.
“Também a sua ira se acendeu contra os seus três amigos; porque, não achando que responder, todavia condenavam a Jó”.
Eliú repreende os amigos de Jó e declara a sua opinião (32.17), e faz seu comentário sem tomar partido desse ou daquele e sem tratar com lisonjas.
Jó 32.21-22
“Não farei acepção de pessoas, nem usarei de lisonjas com o homem”.
“Porque não sei lisonjear; em caso contrário, em breve me levaria o meu Criador.Lembra Jó das suas próprias defesas, e diz que maior é Deus que o homem; e que Deus não da conta de seus atos, mas fala e ninguém escuta, também não responde ao clamor dos homens arrogantes e maus, mas os seus olhos estão sobre os justos”.
Eliú exalta a grandeza das obras de Deus e a Sua sabedoria, os homens por isso mesmo devem temê-lo. Eliú prepara o cenário, logo após, Deus fala com Jó.
III – Falando de Deus e Aprendendo sobre Ele
Jó certamente ouvia falar de Deus, não conhecia o Deus que ele servia, o qual cultuava e oferecia holocaustos. Era descendente de Abraão, provavelmente o que sabia a respeito de Deus havia sido transmitido oralmente, em rodas de familiares e amigos, veja Jó 42.3: “Quem é aquele, dizes tu, que sem conhecimento encobre o conselho? Por isso falei do que não entendia; coisas que para mim eram maravilhosíssimas, e que eu não compreendia”.
Mas é interessante analisar o fato de seus amigos buscarem entender por que Jó estava passando por tamanha provação. Quando começam a justificar seu martírio por razões espirituais, busca no entender deles, razões para Deus castigá-lo daquela forma. Vamos lembrar que naquela época as pessoas não tinham conhecimento de Satanás, razão pela qual imputavam a Deus todos os males que sobrevinha sobre eles.
Aprendemos com os amigos de Jó que a discussão sobre os desígnios de Deus, embora muitas vezes com argumentos torpes, traz conhecimento de Deus. O simples fato de conversarmos a respeito de Deus, de uma ou outra maneira traz conhecimento.
Segundo o Manual Bíblico de Halley, Editora Vida, página 252, Jó tinha poucos conhecimentos a respeito de Deus. A maior parte da Palavra de Deus ainda não tinha sido escrita. Jó com a ajuda dos seus “amigos”, está tentando interpretar seus sofrimentos sem possuir “conhecimento” de Deus (38.1 e 42.1-3).
Muitas pessoas hoje em dia se referem a Deus sem o mínimo conhecimento d’Ele; quando estão em apuros, logo dizem: “Deus tem misericórdia” ou “pelo amor de Deus”, clamam por Deus, mas não o conhecem, pedem pela Sua ajuda, mas o desprezam e chegam até a escarnecer d’Ele.
Em Oséias o Senhor deixa claro o que acontece com aquele que despreza o conhecimento de Deus, e ainda exorta o povo a conhecer e prosseguir em conhecer, ou seja, procurar o conhecimento de Deus sempre e Ele virá a nós como chuva serôdia; aquela chuva que rega e não destrói.
Oséias 4.6 e 6.3
“O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento. Porque rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não seja sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos”.
“Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor; como a alva será a sua saída; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra”.
IV – Quando buscamos conhecer Deus, Ele se revela a nós.
Jó e seus amigos discorrem sobre a vontade de Deus e cada qual expõe sua opinião a respeito, no entanto Deus trata esse palavrório como sendo “palavras sem conhecimento”.
Jó 38.2
“Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?”.
A partir daí, Deus, mostra toda Sua majestade e poder, talvez um dos mais belos relatos sobre a grandeza de Deus; nos capítulos 38 a 41, Deus se revela a Jó. Deus fala a Jó, primeiro de um redemoinho, depois de uma tempestade. Temos que estar aptos a ouvir a voz de Deus de onde não esperamos.
No relato desses capítulos, podemos ver o poder de Deus, tanto sobre a terra, os céus e os mares, como também sobre as alimárias e sobre os homens. Leia com atenção esses capítulos, e sinta você mesmo o poder e a grandeza de Deus.
V – Agora Jó pode afirmar que conhece a Deus.
Jó agora se humilha e glorifica a Deus. Agora ele passou a conhecer o Senhor, e podemos aprender com Jó, que não basta ouvir falar de Deus, temos que ter experiência com Deus, não basta ir à igreja, temos que viver a Palavra de Deus, não basta temer ao Senhor, temos que conhecê-lo pessoalmente e intimamente.
No capítulo 42 nos versos de 2 a 5 Jó dá um testemunho de conhecimento de Deus:
Jó 42.2-5
“Bem sei eu que tudo podes, e nenhum de seus pensamentos pode ser impedido”.
“Quem é aquele, dizes tu, que sem conhecimento encobre o conselho? Por isso falei do que não entendia; coisas que para mim eram maravilhosíssimas, e que eu não compreendia”.
“Escuta-me, pois, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu ensina-me”.
“Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te vêem os meus olhos”.
CONCLUSÃO
O conhecimento de Deus:
Faz evitar o erro e conhecer o poder de Deus: - Mateus 22.29b – Errais não conhecendo as escrituras nem o poder de Deus.
Liberta da prisão do mundo - João 8.32 E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.
Agrada a Deus - Jeremias 9.24 – Mas o que se gloriar glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor.
Evita que adoremos o que não conhecemos - João 4.22 - Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus.
É mandamento de Deus - 2 Pedro 3.18 – Crescei na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Evita que tenhamos sentimentos de ódio, vingança, maldades - Romanos 1.28 – E como não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convém.
Traz a misericórdia de Deus, sobre as nossas iniqüidades e do nosso pecado Ele não se lembra - Hebreus 8.11-12 - E não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior. Pois, para com as suas iniqüidades, usarei de misericórdia e dos seus pecados jamais me lembrarei.
Jó temia ao Senhor, com todas as provações que sofreu, aprendeu a conhecer o Senhor, e Deus o recompensou sobremaneira, restituiu em dobro tudo que perdeu, e deu-lhe filhos e filhas e não houve na terra mulheres tão formosas como as filhas de Jó.
Jó 42.10, 12-15
“Mudou o SENHOR a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos; e o SENHOR deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra”.
“Assim, abençoou o SENHOR o último estado de Jó mais do que o primeiro; porque veio a ter catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas”.
“Também teve outros sete filhos e três filhas”.
“Chamou o nome da primeira Jemima, o da outra, Quezia, e o da terceira, Quéren-Hapuque”.
“Em toda aquela terra não se acharam mulheres tão formosas como as filhas de Jó; e seu pai lhes deu herança entre seus irmãos”.
Deus permita que o estudo acima venha de encontro ao nosso coração de modo que tenhamos o desejo de aprender e conhecer o nosso Deus, para que sejamos cheios da graça de nosso Deus, fundados em amor e cheios da plenitude de Deus.
Efésios 3.17-19:
“Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor,Poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade,E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus”.
Amém!